segunda-feira, 28 de março de 2016

O PMDB e o que vem depois, Por Grigorio Rocha (Sociologo, Poeta, Artista Plástico e Sindicalista)

A pergunta que não quer calar: se o PMDB decidir abandonar o governo, o vice-presidente Michel Temer irá renunciar por coerência ou irá ficar por questão de oportunismo?
Então Temer e o PMDB, do impoluto dono de 13 contas no exterior Eduardo Cunha e do venerável coronel alagoano Renan Calheiros, terão o presidente da república, o presidente da câmara dos deputados e o presidente do senado, ou seja, terão o poder executivo e o legislativo em suas mãos. E eles querem muito, pois aí terão a faca e o queijo na mão para barrar as investigações da Lava Jato e todas as outras que vierem, com a complacência da grande mídia, como sempre foi feito na época da aliança PSDB, PMDB, PFL (DEM) que sustentou o governo FHC e certamente será reeditada com a suposta queda de Dilma.
É o velho PMDB, sempre no poder, sempre pelo poder.
E Temer segue aquela antiga anedota que diz que o papel do vice é sempre conspirar pra derrubar o titular.
E o que vem depois? Ah, essa é a pergunta que os defensores do impeachment deveriam se fazer. Mas dá pra ter algumas pistas. Em primeiro, vão derrubar o veto de Dilma à lei que libera a terceirização nas atividades-fim das empresas, ou seja, será o liberou geral para a total precarização do trabalho. Ou seja, se você tem hoje algum emprego direto, provavelmente será demitido e depois contratado por uma empresa terceirizada com salário menor e praticamente sem nenhum direito trabalhista. Em segundo, haverá uma nova onda de privatizações de empresas públicas e abertura de capital naquelas cuja privatização se dará homeopaticamente. Em terceiro, entregarão o pré-sal para empresas estrangeiras, em especial as americanas, tipo aquela que o senador José Serra andou prometendo alterar a legislação para beneficiar, segundo revelação do Wikileaks. Irão também aprofundar o ideário econômico conservador, baseado em juros altos com a desculpa do combate à inflação, mas que na verdade enche de dinheiro o bolso de banqueiros e especuladores, especialmente com a transferência da maior parte do orçamento público para o setor privafo através pagamento dos famigerados e imorais "juros da dívida". Em quarto, haverá uma ofensiva conservadora contra o direito das minorias, como aprovação do estatuto da família e outras excrescências do tipo, apoiados num discurso falso moralista, mas que ecoa forte nos segmentos religiosos mais atrasados e reverbera também no senso comum daqueles grupos sociais mais dispersos. Em quinto, irão tentar restabelecer o sistema de privilégio de classes, acabando, por exemplo, com as cotas nas instituições federais de ensino superior e estabelecendo a cobrança de mensalidades nas universidades públicas, pra afastar de vez os pobres e negros. Em sexto, irão estabelecer um cerco midiático e policial contra os sindicatos e movimentos sociais, perseguindo de todas as maneiras e tentando criar situações para processar e prender as principais lideranças, como uma ação preventiva contra o surgimento de novos "Lulas" e matando a possível resistência organizada aos ataques à classe trabalhadora. Isso seria só o começo, porque pode piorar, e muito.

Grigorio Rocha
Professor de Sociologia, Poeta, Artista Plástico e atualmente secretário geral do Sindae-Ba

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