segunda-feira, 20 de julho de 2015

Leonardo Boff: Movimentos devem reforçar trabalho de base diante do avanço do conservadorismo

O Brasil compõe o cenário mundial de globalização onde as relações são interdependentes e se dão diante do Império [Estados Unidos], o qual tem uma estratégia clara de poder e não quer ser afrontado por ninguém. E, diante de uma crise em evidência, precisa fazer o enfrentamento necessário para manter um modelo de sociedade que se dê pelo avanço da igualdade social e não pela exploração humana. A análise é do teólogo e escritor Leonardo Boff, que esteve no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região na última segunda-feira (13), para falar aos movimentos sindical, sociais e religioso sobre a conjuntura.
A atividade reuniu na plateia trabalhadores, militantes, dirigentes sindicais e referências da igreja como o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, e Dom Angélico Sândalo Bernardino. Pela CUT São Paulo, a secretária de Imprensa e Comunicação, Adriana Magalhães, fez a abertura da mesa, ao lado do analista político Paulo Vanucchi.

Boff ressaltou que, no cenário internacional, há um desrespeito sistemático dos Estados Unidos aos direitos humanos e à soberania dos povos. “O próprio [Barack] Obama tem repetido que tem interesses globais no nosso País e se eles se dão ao direito de julgar se estes interesses forem ameaçados”.
Para o teólogo, o Brasil está dentro de uma estratégia imperialista, mesmo sendo um dos poucos países com potencial geopolítico para organizar um projeto autônomo de Nação. “Eles não toleram que haja uma potência do tamanho do Brasil aqui no Atlântico Sul. Ela tem que ser vigiada e por isso os emissários da CIA acompanham o que acontece aqui”, afirma, ao relembrar documentos que comprovam a participação norte-americana no golpe militar de 1964.
Diante da crise estrutural do capitalismo, Boff garante que a oposição ligada ao PSDB está aliada ao que denomina império estadunidense. “A frase do Fernando Henrique Cardozo é de uma perversidade incrível. É a frase dos jagunços quando diz que ‘temos’ que sangrar o PT, a Dilma e o Lula até morrer. Eles querem manter uma situação permanente de crise para não encontrar uma saída e desgastar e tornar inviável a reeleição de Lula. Isso tudo numa articulação feita com os grandes jornais para isso”, garante.
Para Boff, eles estão interessados em introduzir o neoliberalismo, que implica supremacia da economia especulativa, diminuição do poder do Estado e arrocho salarial que afetará os trabalhadores.
Na ocasião, aproveitou para saudar as ações realizadas pelo Papa Francisco nos últimos dias, junto aos movimentos sociais latino-americanos, na Bolívia. O teólogo avalia que o pontífice assume um novo paradigma ao dar centralidade à terra e à vida e ao criticar o sistema que produz “a morte”.
No caso da conjuntura brasileira, Boff acredita o PT enfrenta um cenário difícil porque fez diferentes alianças para poder governar. Para ele, diante do conservadorismo que avança, os movimentos sociais são os que devem pressionar para mudanças estruturais que se dão no País, mas que envolve interesses internacionais
“Temos que fazer uma grande revisão e voltar às nossas bases. Resgatar a memória do trabalho de base. Num governo de coalizão não se conseguiu fazer nenhuma reforma e, por isso, a solução se dará por meio de uma Constituinte”, avalia.
Boff entende que o caminho é reforma política estrutural onde não se prevaleça a economia que favorece a burguesia e mantém a riqueza concentrada nas mãos de poucos e a democracia de clientelismo, que permite situações como a de deputados que são financiados por empresas, as quais não representam, segundo ele, os interesses da sociedade.
Ele também fez referência aos movimentos sociais em luta nacional nesta segunda (13) contra a redução da maioridade penal, votação em curso no País, que tem entre os representantes políticos de maior expressividade do conservadorismo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Reduzir a maioridade significa jogar os jovens nas prisões, fazer com que entrem na escola da bandidagem. É preciso, ao contrário, resgatar a dimensão da luz por cima da dimensão das sombras. Ao jovens e ao Brasil precisamos dar lugar à esperança e à perseverança”, finalizou.

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