sexta-feira, 24 de abril de 2015

Condenação da Shell/Basf financiará pesquisas sobre câncer; Ufba vai receber recursos

O Ministério Público do Trabalho (MPT) afirmou nesta sexta-feira (24) que parte da indenização imposta a Shell e a Basf, por contaminação no Brasil, será destinada para financiar pesquisas sobre o câncer. No total, serão destinados cerca R$ 95,8 milhões a cinco projetos de saúde. As empresas foram condenadas a pagar R$ 370 milhões, sendo que R$ 200 milhões são por danos morais coletivos. Os R$ 170 milhões restantes foram destinados a indenizar ex-trabalhadores que tiveram graves sequelas na saúde devido à exposição a substâncias tóxicas em uma antiga fábrica de pesticidas, em Paulínia, no estado de São Paulo. A fábrica, que foi vendida pela Shell em 1995 e comprada pela BASF em 2000 - dois anos antes de fechá-la - operou na cidade entre 1977 e 2002. O Hospital de Câncer de Barretos receberá R$ 69,9 milhões para construir uma unidade de câncer de mama em Campinas, a segunda maior região metropolitana do estado de São Paulo. O Centro Infantil Boldrini, também em Campinas, receberá R$ 19,3 milhões para construir um centro de pesquisa oncológica e acompanhar 100 mil crianças do nascimento à maioridade. Os institutos Fiocruz do Rio de Janeiro e de Pernambuco, com dotações de R$ 3,6 milhões e R$ 1,5 milhão respectivamente, analisarão a saúde dos trabalhadores que empregam agroquímicos nas cadeias de produção. Por último, a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e o instituto Fundacentro receberão R$ 1,5 milhão para avaliar a exposição dos trabalhadores ao amianto e seus efeitos na saúde, assim como os registros de câncer vinculados à substância. O MPT tem até abril de 2018 para investir os R$ 104 milhões restantes em programas de prevenção e cuidados à vítimas de intoxicação, que ainda estão sendo analisados. A Basf e a Shell foram condenadas em agosto de 2010 ao pagamento de indenizações por um dos maiores casos de poluição ambiental do Brasil, que afetou também o solo e o lençol freático da região. Dezenas de ex-empregados foram diagnosticados com diferentes tipos de câncer, especialmente de próstata e de tireoide; doenças do aparelho circulatório, hepáticas e intestinais, além de alterações na fertilidade e impotência sexual.

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