sábado, 14 de junho de 2014

Ação no RJ dá cartão vermelho ao trabalho infantil


Rio de Janeiro - 11 de junho de 2014 é uma data que ficará marcada na história do combate ao trabalho infantil. “Uma campanha fora dos gabinetes, dos palácios”, assim o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Rafael Dias Marques, coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Cordinfancia), definiu o dia, que reuniu cerca de 1.500 pessoas na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, para a formação de um cata-vento, símbolo da luta contra o trabalho precoce. 

O lançamento mundial da campanha “Cartão vermelho ao trabalho infantil” começou por volta das 9h30 da manhã de quarta- feira (11), com a chegada de dezenas de ônibus à enseada de Botafogo, trazendo crianças e adolescentes para participarem da programação, que incluiu música, dança, brincadeiras e foi encerrada com grande cata-vento humano “desenhado” na areia, obra do artista americano John Quigley. “No Brasil, há mais de 4 milhões de crianças e adolescentes em situação de trabalho proibido e é nesse contexto que a campanha se põe”, destacou Rafael Marques. 

A iniciativa foi fruto de ação conjunta entre diversas instituições, dentre elas a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e o MPT. “Quando pensamos a campanha, sabíamos que não poderíamos realizá-la sozinhos, então surgiram os apoios de diversas instituições que compõem o Fórum Nacional e o MPT. Posso dizer que isso aqui não existiria sem o Ministério Público do Trabalho”, declarou Maria Cláudia Falcão da OIT.

Segundo a coordenadora do IPEC (sigla inglesa para Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil), essa é uma campanha global da Organização e não por acaso o Brasil foi escolhido como sede do lançamento em tempos de Copa do Mundo. As ações contra o trabalho infantil continuaram na quinta-feira com o lançamento da música “Till everyone can see”, de Pharrell Williams, em referência à campanha, e na avenida Times Square, em Nova Iorque (EUA), teve a projeção do “Cartão Vermelho”. 

As camisas, os ônibus utilizados no transporte das crianças e o material gráfico de divulgação da campanha foram obtidos em reversões feitas pelo MPT em Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e ação civil pública. “O MPT teve o papel de articulador na organização da iniciativa”, explicou a procuradora do trabalho no Rio de Janeiro Danielle Cramer. 

O público juvenil também deu sua opinião sobre o trabalho precoce. Leandro de 16 anos, Peterson e Wallace de 13, Tauani de 14, Ana Júlia de 15 e Márcia e Ester de 12 são frequentadores do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), onde realizam diversas atividades como oficina de circo e jiu-jitsu. “Acho que quando a gente é criança, é para aproveitar a infância”, disse Leandro. Quando perguntados se já trabalharam, responderam que não, mas revelam conhecer a realidade do trabalho infantil por meio das histórias das mães e das avós que começaram a trabalhar muito cedo. 

A campanha “Cartão vermelho ao trabalho infantil” se estende até as Olimpíadas de 2016, que também terá o Brasil como sede


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