quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MPE vai investigar ponte Salvador Itaparica; Especialistas criticam projeto

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), através do Núcleo Baía de Todos-os-Santos, vai investigar o projeto de construção da ponte Salvador Itaparica. A decisão foi anunciada durante uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (5), com o secretário estadual de Planejamento (Seplan), José Sérgio Gabrielli, promotores de diversas comarcas da região, especialistas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e ambientalistas. O coordenador do Grupo Ambiental da Bahia (Gambá), Renato Cunha, explicou ao Bahia Notícias que o encontro serviu para apresentação do projeto, que recebeu críticas e questionamentos. “O Ministério Público abriu inquérito para acompanhar e analisar todo o processo e, quem sabe, sugerir algo. Foi apresentado o projeto, com estudos e licitações. O que mais se colocou como questionamento foi que se trata de um projeto que não tem nem o esboço de um plano de desenvolvimento regional para a Baía de Todos-os-Santos ou o Recôncavo baiano. É um projeto apenas de uma obra física”, contestou. Promotores e professores da Ufba ponderaram também sobre o custo final da obra, algo em torno de R$ 7 bilhões, com previsão de pedágio de R$ 18, para ser economicamente viável. Docente do curso de arquitetura da Ufba, Paulo Ormindo, divulgou um documento com questionamentos ao secretário (confira aqui), como o gasto de R$ 100 milhões para os estudos, em um momento de contingenciamento estadual de R$ 250 milhões, além de construção em paralelo a investimentos no Porto Sul e aeroporto de Ilhéus, também para transporte de cargas.
Renato Cunha ainda lembrou os possíveis impactos ambientais e adiantou que, apesar dos estudos ainda não terem sequer começado, o plano já foi feito sem alternativas. “Ainda não foi feito o Eia [Estudo de Impacto Ambiental] e o RIMA [Relatório de Impacto Ambiental], mas já se tem a localização definida partir de Bom Despacho, sem uma alternativa. Os estudos foram contratados agora e só serão concluídos em janeiro do ano que vem”, pontuou. O consórcio que fará análise vai receber R$ 22,5 milhões e foi anunciado como vencedor na semana passada, tendo como empresas participantes as brasileiras Enescil e Maia Melo, além da dinamarquesa Cowi. O coordenador do Gambá também revelou que faltam dados sobre o que realmente será a ponte.
“Faltam informações para analisar se este é um projeto seguro, que pode ser feito. É uma obra caríssima, mas será que é por aí mesmo? Não temos segurança”, finalizou. Informações Bahia Notícias

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