quinta-feira, 14 de março de 2013

Francisco é grande opositor do casamento gay; conheça o perfil do novo papa


O sucessor de Bento XVI utiliza o transporte público na Argentina e exortou os fieis a não viajar para Roma para homenageá-lo caso fosse escolhido como papa.
O sucessor de Bento XVI, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, é um intelectual jesuíta e ex-arcebispo de Buenos Aires. Ele é o primeiro cardeal da América do Sul a ser eleito papa na história da Igreja Católica e têm um histórico de oposição ao casamento gay.

Na Argentina, Bergoglio foi contra o projeto de lei em 2010, defendendo que as crianças do país deveriam ter o direito de serem criadas e educadas por um pai e uma mãe. Na época, ele argumentou que o projeto é apenas um instrumento de “agitação do Pai da Mentira [o diabo] para confundir e enganar os filhos de Deus”.
Pela sua declaração, ele foi duramente criticado por Cristina Kirchner, presidente da Argentina, que comparou o seu discurso a um pronunciamento dos tempos da Santa Inquisição. De perfil conservador para um jesuíta, Francisco também se opõe ao aborto e à eutanásia.

Em relação ao conclave que elegeu o papa Bento XVI, em 2005, há um consenso geral de que Bergoglio foi o segundo colocado na votação. De acordo com o The Guardian, existem boatos inclusive de que ele teria recebido 40 votos na terceira votação, pouco antes do cardeal Ratzinger conseguir exceder os dois terços de votos necessários para ser eleito Pontífice.
No mesmo ano, Bergoglio foi acusado de estar envolvido no sequestro de dois missionários jesuítas pela Justiça argentina. O crime aconteceu em maio de 1976, durante a ditadura militar do país. Segundo o Uol, eles foram sequestrados por membros de um comando da Marinha de Guerra do país e ficaram cinco meses desaparecidos. As vítimas, Orlando Virgilio Yorio e Francisco Jalics, eram companheiros de Bergoglio na Companhia de Jesus.

O próprio padre Yorio, que morreu em 2000, afirmou ter sido traído por Bergoglio e disse que ele foi um dos principais responsáveis por sua perseguição, quando aderiram à teologia da libertação.

A acusação não foi a única: o papa Francisco já era suspeito de ter relações estreitas com a ditadura militar na Argentina.

Apontado como cardeal pelo falecido papa João Paulo II, no dia 21 de fevereiro de 2001, Francisco também foi um feroz crítico de Ernesto Kirchner, ex-presidente da Argentina. Em 2009, ele chegou a declarar que o governo era "imoral, ilegítimo e injusto" por permitir que a desigualdade crescesse no país.

"Ao invés de prevenir, parece-me que eles optaram por tornar a desigualdade ainda maior", afirmou na época, "Direitos humanos não só são violados por terrorismo, repressão ou assassínios, mas por estruturas econômicas injustas que criam desigualdades enormes".

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Francisco, como escolheu ser chamado, é descendente de italianos e utiliza o transporte público na Argentina e tem um apelo pessoal em relação à pobreza. Para este conclave, por exemplo, ele pediu para que centenas de argentinos optassem por não viajar à Roma para celebrar, caso ele fosse selecionado como o novo Pontífice pelos demais cardeais. Ao invés disso, ele exortou os fieis a doar os valores que seriam gastos em passagens aéreas para os pobres e necessitados do país.
Matéria original: Correio 24h

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