terça-feira, 8 de maio de 2012

PÃO E CIRCO : PREFEITO DE CACHOEIRA DESENBOLSA R$ 350 MIL POR SHOW DO CHICLETE E CORTA VERBA DE HOSPITAL ; DIRETOR ACUSA CRISE

Moradores do município de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, resolveram fazer uma campanha para compensar uma atitude inconsequente da prefeitura local, que anunciou este mês o fim do repasse de uma verba de R$ 12.850 que era paga mensalmente à Santa Casa de Misericórdia, usada em serviços como pediatria e obstetrícia. Ao mesmo tempo em que anunciaram o corte no recurso para a entidade filantrópica, o Executivo divulgou que a banda Chiclete com Banana será uma das atrações da festa de São João deste ano.
Segundo o jornal A Tarde, os populares pedem que Bell Marques, líder do grupo de axé, doe R$ 11.668 dos R$ 350 mil que ganhará no festejo junino por duas horas de show ao hospital (o equivalente a quatro minutos da já famigerada apresentação).

Em entrevista ao Metro1, na tarde desta segunda-feira (7), o gestor da Santa Casa, Luiz Antonio Araújo, confirmou o corte financeiro e informou que irá entrar com uma medida administrativa para fazer o prefeito Fernando Antônio da Silva Pereira (PMDB - na foto ao lado de Bell Marques) mudar de ideia e manter o repasse à unidade. "A gente foi tomado de surpresa aqui quando o secretário municipal de saúde, Mamede Daiube Neto, comunicou ao hospital que a partir de maio não estaria repassando os R$ 12.850 provenientes de convênio assinado em janeiro deste ano. (...) Amanhã [terça] vamos entrar com uma representação administrativa junto ao Executivo, tecendo as alegações do ponto de vista da quebra de um convênio, para tentar fazer com que ele mude de ideia", adiantou Araújo.

Auditoria e crise - Segundo o dirigente hospitalar, a prestação de contas da unidade de saúde tem sido feita de forma correta e detalhada, e lembra que a renovação do contrato vinha sendo feita sem qualquer tipo de problema. "Há 12 anos os prefeitos renovam o convênio, sem qualquer problema. O que estranhamos é que, no mês passado, a Câmara aprovou uma emenda orçamentária para que o valor [do convênio] passasse para R$ 30 mil. Logo depois, eles anunciaram o corte", disse. Para Araújo, o principal motivo para o fim do repasse não é exatamente político, mas financeiro. "Aparentemente, a prefeitura passa por uma grande crise. No dia 18 de abril, eles receberam portaria assinada pelo ministro [da Saúde, Alexandre Padilha] suspendendo o repasse dos recursos que mantém os cinco Postos de Saúde da Família e um odontológico. Diz na portaria que a motivação é uma auditoria da CGU. Ao receberem essa portaria, imagino que eles decidiram cortar todos os repasses", supõe. A Controladoria Geral da União (CGU) teria encontrado inconsistências na prestação de contas da saúde em Cachoeira.

Presente de grego - Na próxima quarta-feira (9), a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira completa 283 de fundação. Para o diretor do hospital, o corte no recurso, que era utilizado em serviços, dentre os quais, pediatria, obstetrícia e clínica médica, deve interferir inclusive no atendimento a pacientes durante a festa de São João, que terá o Chiclete com Banana como atração no dia 25 de junho. "Aos sábados e domingos, e nas festas como o São João, pelo fato de os postos de saúde estarem fechados, é o hospital que absorve os pacientes", aponta Araújo. Ele prevê dificuldade nos atendimentos de média complexidade no período e espera que até lá o prefeito já tenha voltado atrás da decisão de corte de dinheiro. "A Santa Casa é um local histórico. O imperador Dom Pedro II visitou a casa, em 8 de novembro de 1859, e doou dois contos de réis", lembrou o diretor, que clama para que o prefeito não deixe de "doar" também.

Estrutura - Atualmente, a Santa Casa, que conta com 95 leitos, maternidade e pediatria, sobrevive com um contrato de contrato de transferência direta de R$ 226 mil, mas seu orçamento de custeio é de R$ 400 mil, para gastar, entre outras coisas, com água, energia e pessoal. "Fazemos um pente fino na administração, para fazer um gasto com racionalidade, mas sempre fechamos no vermelho. Essa decisão do prefeito só deixa a situação ainda mais complicada", reitera.

O secretário de saúde e o prefeito foram procurados pela reportagem, mas não foram encontrados para comentar o assunto.
Informações : www.metro1.com.br

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