domingo, 6 de maio de 2012

A GREVE DOS PROFESSORES NA VISÃO DO VEREADOR PROFESSOR UBERDAN

Algumas pessoas têm, oportunamente, cobrado a minha opinião sobre a Greve dos Professores do Estado da Bahia.
Tenho histórico de militância e sempre fui engajado em Movimentos Sociais nas mais diferentes vertentes (Juventude, Negro, Cultura, Gênero, Estudantil, etc) e como sempre procurei me pautar como LIVRE PENSADOR, permito - me, sem temer o contraponto, emitir minha opinião.
Sou Professor e exerço Mandato de Vereador pelo PT, partido que se construiu no engajamento das lutas dos trabalhadores, o que me honra de fazer parte da sua militância.
O Magistério, no entanto, não me é um sacerdócio, é sim, uma Profissão. Fruto de uma opção me tornei professor, talvez por inspiração, Educador. Sempre entendi que o exercício desta nobre profissão não permite o alheísmo político, ao contrário, requer profissionais engajados, arregimentadores de cérebros e cientes do seu papel de construtores de uma sociedade menos desigual. Por isso, acho legítimo e justo que estes “trabalhadores do conhecimento”, historicamente lesados em seus direitos, se utilizem da greve como instrumento de pressão.
Mas justo em um Estado governado pelo PT?
Exatamente.
Movimentos Sociais não devem se curvar aos ditames do Estado, mesmo de um Estado cujo atual Governador teve seu embrião gestado nos piquetes do Pólo Petroquímico de Camaçari. O X da questão, entretanto, é que assim como no Governo Federal, aqui na Bahia, o PT ganhou o governo, mas não ganhou o poder.  E convive cotidianamente com a realidade de um Estado que não é neutro, ou seja, ele está sempre a serviço de uma classe dominante, que leia – se: NÃO é a classe trabalhadora.
Esse governo de coalisão que governa a Bahia tem algo surpreendente, quando realiza ações positivas, o bônus é de todos, mas quando se vê em “palcos de aranha”, em momentos difíceis, a exemplo do movimento da PM ou a greve dos professores, o ônus é do PT. É a tal da governabilidade, nossa parca governabilidade.
O PT dos movimentos sociais alçou vôos maiores, ganhou densidade. Pra eleger Lula precisou de Duda, aliou – se ao Zé de Minas, defenestrou o Zé Dirceu, elencou ao status de presidente uma mulher, alavancou a nossa auto  estima  e. . .
É claro que o PT também mudou, se não o fizesse não ganharia eleições e não mudaria o Brasil. É a dinâmica de um Partido que ainda tinha em seu programa de governo de 1989, pontos da Intentona Comunista de 1935 e que, ao mesmo tempo que propunha uma pauta socialista para o país, via ruir o socialismo no leste europeu, a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética como realidade geográfica.
A dinâmica de quem governa é essa. Não posso exigir que um Governador agisse como líder sindical afinal, ele é gestor de um Estado. O que não quer dizer que esse mesmo Governador seja insensível às causas dos trabalhadores.
Eis a minha opinião:
Entendo que o Governo tenha dificuldades, sobretudo legais, de cumprir o acordo com os professores. 22.22% de forma universal, está aquém do que os professores merecem, mas está além do que as contas do Estado suportariam. Vejam o exemplo de nossa cidade, onde apenas Professores Municipais de Nível Médio receberam o reajuste proposto pelo piso nacional e eu defendi publicamente, inclusive da Tribuna da Câmara de Vereadores, a extensão desse valor a todos os níveis, no entanto, a APLB Sindicato, que em nível de Estado brada de forma justa, aqui silenciou – se.
Acho importante a gestão da APLB, coordenada pelo PCdoB e sou simpático à ingerência do PSTU e do PSOL nos movimentos sociais, é importante esse oxigênio, para os movimentos e para os partidos, é claro. Mas sonho com a saudável alternância de poder, sonho com o dia que esses jovens militantes de hoje, pequenos burgueses de amanhã, comportem – se como estadistas e legue à classe trabalhadora a justiça social que tanto desejamos.

Eu sou a favor da GREVE dos Professores, porque sou a favor dos Professores. Mas defendo o pertencimento político, defendo o engajamento social, defendo que os professores se apropriem das suas demandas e não esperem por porta vozes.
O Estado conduziu de forma equivocada o processo de negociação e subestimou a categoria, é fato. A interlocução com a sociedade requer os atributos que sempre, nós, do PT, desejamos como oposição e a falha reside exatamente nisso. No poder que pensávamos ter, na distância que nós, com o pseudo poder, mantivemos de categorias que defendemos historicamente.
Enfim, eu sou a favor da GREVE dos Professores por uma razão simples: Eu ESTOU Vereador, mas SOU Professor.
Eis minha opinião!
UBERDAN CARDOSO

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