segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CABACEIRAS DO PARAGUAÇU : MISÉRIA, FOME, SEDE E DESCASO COMO PRESENTES DE NATAL AO POVO !

Cena típica do sertão abandonado, o recôncavo baiano sofre com a fome e sede onde famílias da localidade de Cerquinha, zona rural do município de Cabaceiras do Paraguaçu, anda quilomentros a pé ou sobre o lombo de jumentos em busca de água para beber e cozinhar o pouco alimento, quando tem. Patativa do Assaré já cantava nos seus versos com muita propriedade:"Setembro passou/Outubro e Novembro/Já tamo em Dezembro/Meu Deus, que é de nós,/Meu Deus, meu Deus/Assim fala o pobre/Do seco Nordeste/Com medo da peste/Da fome feroz/Ai, ai, ai, ai". Os versos do artista retratam a triste realidade do homem do campo de Cabaceiras do Paraguaçu, que anda quilômetros para lavar roupas sobre o trilho do trem, em uma pequeno poço que extrai água também para beber.

A cena torna-se estranha por ser no recôncavo baiano e a chuva mesmo no verão é um fenômeno constante, uma vez que temos o verão mais chuvoso de todos os tempos. Mais estranha ainda é acontecer em um município localizado a 140km de Salvador, e que esnoba com o dinheiro público com o gasto de mais de RS 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais) com alugueis de carros, fora da realidade do município, conforme Parecer nº.: 00809-10 de 2009 e Processo: 08953-10 do TCM/BA, para atender sabe-se lá a quais necessidades, em uma cidade de apenas pouco mais de 19.000 (dezenove mil) habitantes. Um pequeno município que deveria honrar o nome do filho mais ilustre, o poeta Castro Alves, que sempre pregou através dos seus lindos versos a igualdade e a justiça social, convive com a incoerência de ser banhando pela bacia hidrográfica do Paraguaçu e ter de ver seu povo padecer de sede.
O sofrimento e indignação dos moradores a exemplo de dona Márcia, moradora da localidade rural da Cerquinha, é grande contra a prefeita municipal, Romildes Machado - (PMDB), esposa do ex-Prefeito Aurino Machado, que, mesmo administrando um orçamento de mais de R$ 22.000.000,00 (Vinte e dois milhões) em 2010 e de mais de R$ 28.000.000,00 (Vinte e oito milhões) em 2011, não tem conseguido implementar políticas públicas eficientes para fazer cessar o sofrimento daquela comunidade. - "gente não é porco para viver na lama não" é o desabafo desesperado e indignado de dona Lane, moradora da mesma localidade, lugarejo onde, segundo dona Jaqueline, "para ter acesso a água potável, é preciso comprá-la em galões carregados no lombo de animais, porque o carro pipa só aparece a cada 15 (quinze) dias". O fato é que a comunidade rural de Cabaceiras do Paraguaçu viu-se obrigada a passar o Natal sem água e saneamento. A pergunta que fazem os moradores é a seguinte: Será que na casa dos gestores públicos dessas e de outras cidades, faltou água e dignidade nesse natal? Com a palavra, o espírito do Natal.

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