segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

APÓS GADO MORRER, JUSTIÇA PROIBE MULTINACIONAL A USAR VENENOS NO INTERIOR DO CEARÁ

Em Paraipaba (a 90 km de Fortaleza), a Justiça decidiu proibir uma empresa de origem holandesa de usar agrotóxicos no plantio de bulbos – pequenos caules arredondados de onde brotam flores.
Até essa decisão ser tomada, 16 cabeças de gado de uma fazenda vizinha à multinacional morreram e exames mostraram que o motivo foi intoxicação pelo uso da ingestão de defensivos agrícolas – como provas, há um laudo técnico assinado pelo veterinário Antônio Inácio Félix e outro elaborado pelo Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que recolheu amostras do fígado dos animais mortos. Entre os moradores da região, também já há registro de irritações na pele e problemas respiratórios, possivelmente causados pela pulverização dos venenos.
Segundo o promotor Lucas Felipe Azevedo de Brito, havia uma série de irregularidades na operação da empresa. Ele afirma que a CBC (Companhia Bulbos do Ceará) não tinha sequer registro ambiental para operar. Também não apresentava autorização para o uso dos agrotóxicos.Além disso, segundo Brito, um decreto estadual determina que o uso de defensivos deve acontecer a no mínimo 500 metros de distância de mananciais de água, pastagens e residências, o que não era respeitado.
“A pulverização aérea dos venenos acontecia a menos de três metros da criação de gado e a 100 metros do manancial de água que abastece toda a região, da Lagoa da Cana Brava”, afirmou. Tudo isso foi atestado por laudo técnico emitido pela Adagri (Agência de Defesa Agropecuária do Ceará), do governo do Estado.
A decisão, em primeira instância, aconteceu apenas dez dias depois de Brito ingressar com o pedido na Justiça. A empresa informou que irá recorrer. Segundo sua assessoria de imprensa, não há qualquer irregularidade na aplicação dos defensivos e sequer é feita a pulverização aérea, como alega o Ministério Público.
Toda a produção da CBC é para exportação. Nos 20 hectares cultivados com irrigação, são colhidos 3,5 milhões de bulbos por ano, que seguem para os Estados Unidos e para a Europa. No local, segundo a empresa, trabalham 150 pessoas. Informações: www.uol.com.br

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