quarta-feira, 28 de abril de 2010

SECRETARIO DE AGRICULTURA RECEBE MILITANTES DO MST


A Comissão Representativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reuniu, no início da tarde desta terça-feira (27), na Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), para a segunda rodada de negociações com representantes do governo estadual. Participaram do encontro, os secretários Eduardo Salles (Seagri) e Cézar Lisboa (Relações Institucionais) e o líder do MST, Márcio Matos.
Segundo Salles, nesta quarta-feira (28) será realizada pelos líderes do MST, audiência com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart. “Nós, como Governo do Estado, estaremos em Brasília para participar da audiência como parceiros que pretendem ajudar a reforma agrária na Bahia. Os movimentos sociais ligados à terra são legítimos”. Também vai participar o superintendente regional Incra/BA, Luiz Gugé.
A marcha de aproximadamente cinco mil militantes saiu de Feira de Santana, no dia 19 deste mês, e faz parte das ações do chamado Abril Vermelho, que lembra o conflito em Eldorado dos Carajás (PA), ocorrido há 14 anos, quando 19 lavradores foram mortos em confronto com a Polícia Militar.
Acampados em frente à Seagri, onde ficarão até o fim das negociações, os integrantes do MST reivindicam aceleração da reforma agrária, com assentamento de 10 mil famílias em dois anos, a ampliação e construção de casas nos assentamentos, mecanização e infraestrutura produtiva, kits de irrigação, instalação de equipamentos em dois acampamentos modelo, projetos de inclusão produtiva, construção de 13 escolas em assentamentos, de dez unidades da Saúde da Família e três mil cisternas em assentamentos no semiárido.
Conforme o secretário Eduardo Salles, a pauta é bastante extensa e diversificada, além de ser relativa a diversas secretárias estaduais e também ao governo federal. Ele informou que na primeira rodada de negociações já foram realizadas reuniões com os secretários as quais a pauta concerne. “A questão da terra e de infraestrutura é da competência do governo federal”.
Saúde, educação e produção agrícola
O secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa, falou que todos os anos ocorrem negociações, “o que é um fato absolutamente normal, uma vez que as demandas existentes na zona rural precisam ser atendidas”. De acordo com ele, o governo atende às reivindicações dentro das possibilidades e capacidade de investimento.
“Este ano, a pauta passa por vários setores como educação, saúde, mas, sobretudo, na área de produção agrícola e questões relacionadas à terra. Vários itens são possíveis de serem trabalhados pelo governo estadual e nós devemos responder apresentando possibilidades e recursos necessários para execução das atividades. A outra parte da pauta, diz respeito à luta geral da reforma agrária, voltada para o governo federal, no sentido que o Incra tem o papel de implantação da reforma”, afirmou Lisboa, acrescentando que a Bahia possui o maior número de agricultores familiares, mais de 700 mil, grande parte ligada aos assentamentos.
O líder do MST, Márcio Matos, apontou a questão da terra como demanda central, já que, segundo ele, são 25 mil famílias acampadas e 10 mil assentados, em 120 assentamentos, distribuídos em nove regiões do estado. Ele enfatizou a condição de infraestrutura dos assentamentos, apoio e fomento as cadeias de produção, incentivo a produção, além da assistência técnica nos assentamento como prioridades.
“Muitas dessas famílias estão, há mais de cinco anos, nesses acampamentos. O governo federal anunciou um contingenciamento de 37% no orçamento do Incra, o que vai impactar diretamente a Bahia, pois temos uma demanda superior a outros estados da federação. Queremos que o estado use de sua força política para capitalizar recursos”, disse Matos.
Fonte:angeloalmeida.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário